Salomé



Sinopse da ópera

Um terraço no palácio de Herodes II Antipas, com vista para o Mar da Galiléia

Estamos na Palestina ocupada pelos romanos, por volta do ano 27. A situação política e religiosa é confusa: os romanos dividiram a província em quatro zonas de ocupação, cada uma encabeçada por um tetrarca sob controle direto de Roma para facilitar a administração e tornar mais difícil qualquer possibilidade de sublevação. Herodes Antipas é um desses tetrarcas. As seitas judaicas disputam interminavelmente entre si, unidas apenas pelo ódio comum aos romanos (com exceção apenas dos saduceus, os únicos que colaboravam ativamente com os romanos). Um profeta chamado Iokanaan (mais conhecido pelos cristãos pelo nome de São João Batista) acaba de fundar uma nova seita, proclamando que "o fim está próximo" e a destruição de Israel é emimente (a profecia se cumpriria no ano 70, quando os romanos evacuaram Jerusalém e destruiram o Templo). Um dos discípulos de Iokanaan, o rabino Yeoshua ben Yosef, que fora batizado pelo profeta no rio Jordão, mais tarde se tornaria mundialmente famoso pelo nome de Jesus Cristo. Logo após este batismo, porém, Iokanaan caiu na desgraça do tetrarca por denunciar a corrupção reinante nos altos escalões do governo e a imoralidade na corte. Herodes mandou encarcerar Iokanaan, enquanto Yeoshua assumiu a continuidade do movimento.

Ao erguer-se a cortina, estamos numa festa no palácio de Herodes, à luz da lua e das tochas ardentes. Iokanaan jaz encarcerado no porão do mesmo palácio. "Quão linda está a princesa Salomé esta noite!" exclama Narraboth, o chefe da guarda, inteiramente enfeitiçado. Um pagem o adverte, porém, do mau caráter da princesa, mas em vão. Ouve-se a voz de Iokanaan, denunciando a barbaridade de Herodes e de sua corte. Movida pela curiosidade, Salomé quer vê-lo. Os soldados se recusam a trazê-lo, já que Herodes o proibiu. Salomé promete a Narraboth que se ele permitir que ela veja o profeta, ela permitirá que ele a veja tomar banho na manhã seguinte. Narraboth manda trazer o profeta. João Batista sobe as escadas bem devagar para dar tempo a Richard Strauss de compor um poderoso intermezzo.

Salomé está inteiramente seduzida pela visão do jovem profeta, que ela considera extremamente sexy. Ele, porém, a repele desgostoso, e recomenda que ela vá procurar um dos seus discípulos, chamado Yeoshua, que agora mesmo está pregando às margens do rio Jordão, o único que pode purificá-la dos seus pecados. "Deixa-me beijar-te", insiste Salomé. "Não!" replica Iokanaan, que é mandado de volta para a cisterna. Enquanto isso, Narraboth, ao ver o resultado desastroso de sua ação, pratica hara-kiri.

Herodes aparece, acompanhado da rainha Herodíades. Esta se desgosta pela maneira como Herodes olha para sua filha. Herodíades pede ao tetrarca que mande executar o profeta: ela já não agüenta mais os insultos e denúncias deste à administração corrupta. Herodes sabe, porém, que esse é um passo politicamente arriscado: Iokanaan é visto como um grande profeta e é estimado pelo povo. Para se desviar um pouco desses assuntos de política e religião que o estão enfastiando tanto, e para animar um pouco a festa, Herodes pede à filha de sua esposa que dance. Salomé responde que não está com vontade de dançar. Herodes insiste, prometendo dar a ela qualquer coisa que ela peça se ela dançar. Chegamos então ao ponto culminante da partitura: a famosa Dança dos Sete Véus. Ao terminar a dança, o tetrarca fica estarrecido com o pedido de Salomé: ela quer a cabeça de São João Batista, numa bandeja de prata. Ele tenta negociar: a maior esmeralda do mundo, metade do seu reino - qualquer coisa, menos isso! - mas ela está decidida: "Quero a cabeça de Iokanaan!" Derrotado, o tetrarca manda que cortem a cabeça do profeta, a qual é entregue a ela numa bandeja de prata, como ela havia pedido. Ela beija na boca a cabeça decepada, num delírio de sexualidade histérica e doentia. Revoltado com tanta devassidão, Herodes manda matá-la.

"Wikipédia"