A Primeira Guerra Mundial - 1914 a 1918 (em 10 episódios)

A 6 de Março de 1916, o governo do Império Alemão, dá ordens ao seu embaixador em Lisboa para apresentar a declaração de Estado de Guerra entre o governo do Império Alemão e o governo da República Portuguesa.
A declaração de guerra da Alemanha a Portugal, pode afirmar-se que foi provocada pelas iniciativas portuguesas contra a Alemanha, com o objectivo aparente de levar o país à guerra, sem assumir o ónus da declaração propriamente dita.
A entrada de Portugal na guerra, entende-se melhor quando se recua alguns anos no tempo e se constata que os problemas económicos e financeiros do país, tinham levado duas das principais potências europeias a negociar secretamente a divisão das duas principais parcelas do império português entre si. Tratava-se da Grã Bretanha e da Alemanha.
A posição portuguesa nos primeiros anos do século foi complexa e periclitante, até que em 1914, a guerra levou alemães e britânicos a ficar de lados opostos. Nessa altura, o governo português estava tremendamente fragilizado após a chegada de um grupo de políticos republicanos inexperientes ao poder, na sequência de um golpe de estado ocorrido em 1910.
Logo que rebentou a guerra, os políticos aproveitaram imediatamente a situação para tentarem uma aproximação à Grã Bretanha e a entrada na guerra. Se Portugal entrasse na I guerra, seria muito mais fácil aos republicanos portugueses - desesperados por esconder a sua profunda incompetência - garantir a sua permanência no poder.
No entanto, a entrada de Portugal na guerra não era de imediato do interesse dos britânicos, pelo que Portugal continuou à margem, embora tivesse várias vezes feito saber junto dos aliados ocidentais (França e Grã Bretanha), que o país estava interessado em entrar no conflito.
A altura chegou após o dia 17 de Fevereiro de 1916. Nesse dia, a Grã Bretanha accionou mais uma vez o Tratado de Windsor, a mais antiga aliança militar do mundo, para pedir a Portugal que capturasse os navios alemães em portos portugueses, para ajudar no esforço de guerra.
A guerra no Atlântico tinha atingido um ponto preocupante, com submarinos alemães a destruir muitos dos navios mercantes britânicos, ameaçando a linha vital de abastecimentos que vinha do império até às ilhas britânicas.
Os portugueses não se fizeram rogados e apenas 6 dias depois, a 23 de Fevereiro, eram aprisionados em portos portugueses nada mais nada menos que 72 (setenta e dois) navios, ao abrigo do Decreto 2.229. A maioria desses navios pertencia ao Império Alemão, mas também foram requisitados navios do Império Austro-Hungaro, aliado da Alemanha.
Ao aprisionamento dos navios seguiu-se o protesto dos alemães, mas os portugueses não se demoveram. Afinal, o objectivo do governo português era exactamente o de garantir que a Alemanha declarava guerra a Portugal e não o contrário, pois assim, mais facilmente se poderia unir o país em torno de uma causa comum.
O plano funcionou. No dia 6 de Março de 1916, a declaração de guerra é entregue em Lisboa, pelo embaixador alemão.

In www.areamilitar.net


Episódio 1 - Às Armas!



Episódio 2 - Sob a Águia



Episódio 3 - Guerra Global



Episódio 4 - Jihad



Episódio 5 - Acorrentado a um Cadáver



Episódio 6 - Rompendo a Paralisia



Episódio 7 - Bloqueio



Episódio 8 - Revolução



Episódio 9 - A Última Jogada da Alemanha



Episódio 10 - Guerra Sem Fim